Cristina in Vigo, spring 2017

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…E cá estou eu em Portugal

15 Jun , 2017  

A Cristina chegou em setembro, da Roménia, ao SVE coordenado pela Agora Aveiro, na Maternura.

Decorridos quase 9 meses, pedimos-lhe que escrevesse um breve resumo da sua vida portuguesa. Partilhamo-lo convosco aqui:

“… Estou aqui em Portugal, Aveiro, 8 meses depois da minha chegada em setembro. Passou tão pouco e ao mesmo tempo aconteceu tanto. Mal me recordo de como era no início, mas lembro-me da esmagadora sensação de felicidade e entusiasmo que veio com o pensar no que este projeto SVE me iria trazer. Bem, trouxe-me tudo. Todo o tipo de emoções, desde tristeza a estados de espírito eufóricos. Aconteceram tantas coisas até agora e tantas mais estão por acontecer. Assim, deixem-me começar pelo início. O meu projeto de voluntariado consiste em “trabalhar” com crianças num infantário. A princípio, estava a stressar por causa disso, tantas expetativas. E, como todos sabemos, quanto maior a expetativa, maior a desilusão. Assim, após algum tempo, comecei a pensar e agir de forma mais flexível, mais global. Então, apercebi-me que o meu SVE não se restringe apenas à parte técnica, a Maternura. É muito mais do que isso. A certa altura dei conta que o meu SVE na realidade tinha muito mais para me dar do lado de fora das portas da Maternura. E foi aí que comecei a aprender. A aprender sobre interações sociais, sobre a cultura Portuguesa (pela qual estou apaixonada), a organizar eventos, a gerir conflitos (ou como os evitar), a gerir o meu pequeno orçamento mensal, caminhar lentamente pelas ruas em vez de estar sempre a correr, e, finalmente, a aproveitar cada um dos dias solarengos ou chuvosos que a vida traz.

Dei por mim a pensar que tenho muita sorte em estar cercada pelas pessoas que estou. Alguns deles são super inspiradores, outros tornaram-se família, também houveram outros que mesmo estando de passagem deixaram impressões profundas na minha alma, alguns são ainda conhecidos que estão lá sempre que sinto a necessidade de estar entre pessoas. As crianças com quem trabalho são uma parte especial do meu projeto, com um lugar especial no meu coração. No início, tinha a ideia de que era eu que os tinha de ensinar. Mas, no final, acabaram por ser eles a ensinar-me. Aqueles pequenos seres humanos têm tantas coisas para nos ensinar a nós, “os adultos”. A ser nós próprios, por exemplo, ou a ser honestos e livres, cantar e dançar sempre que quisermos, escolher o que amamos fazer, e depois amar o que escolhemos. Eu sei, parece clichê, mas é realmente assim. E, claro, eles ensinam-nos como amar incondicionalmente. A minha parte favorita é quando eles, do nada, chegam ao pé de nós e nos dão beijos, mesmo que estejam todos sujos. Já não importa que eles deixem ranho nas nossas bochechas ou um monte de lama nas nossas t-shirts. É tão genuíno dar-lhes um abraço e fazer essa troca de carinho.

Além disso, durante todo este tempo, tenho viajado dentro e fora de Portugal. Este país não tem parado de me surpreender com a sua natureza, monumentos, cidades, pessoas e eventos. Todos os locais a que fui são únicos. Experimentei aulas de capoeira, durante 3 meses vou fazer escalada, fui ao teatro (uma peça portuguesa), visitei museus e nadei no oceano Atlântico. São coisas que fiz pela primeira vez na minha vida.

As emoções e experiências que tenho são incomparáveis, únicas em todos os aspetos.

Claro houveram momentos de tristeza, saudade, nostalgia. Houveram momentos em que eu queria desistir disto tudo, deste projeto “único”. Senti que isto não me estava a levar a lado algum mas, felizmente, estava errada. Na maioria das vezes, sinto falta da minha família e amigos do meu país, a Moldávia. Parece que estou a perder algo em mim (a conexão, talvez), mas tendo tudo em conta, tudo o que estou a experienciar aqui vale a pena “

Por
Association that promotes active citizenship.