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YALA: um projeto SVE em Aveiro

8 Fev , 2016  

Está um dia solarengo em Aveiro e pelas ruas caminham prazenteiramente vários turistas. Sentadas à mesa do café estão 4 jovens que parecem fazer uma pausa num fim-de-semana à descoberta duma nova cidade, à imagem daqueles que freneticamente procuram capturar sob o seu olhar os recantos da cidade. Mas a naturalidade com que pedem um galão, num português aprumado e o riso fácil para o empregado traem-nas. É que, nos últimos meses, Jasna Vejić, Tea Vukicevic, Tatjana Vaselova e Wiola Starczewska, têm vivido em Aveiro como voluntárias num projecto (YALA) associado ao Serviço Europeu de Voluntariado (SVE) e acolhidas pela associação para a promoção do cidadão activo Agora Aveiro.

Nataša Golosin, sérvia de nascença e cidadã portuguesa é co-fundadora da Agora Aveiro e gestora do projecto YALA (Your Active Life in Aveiro, sigla inglesa para ‘a tua vida activa em Aveiro’) explica melhor: ‘O SVE, Serviço Europeu de Voluntariado (ou EVS em inglês), é um projecto financiado pela Comissão Europeia no qual qualquer jovem (idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos) pode ter uma experiência de voluntariado no estrangeiro em varias instituições’. Considerada por muitos como uma vivência única, o SVE permite, segundo Nataša, ‘obter experiência, melhorar as capacidades linguísticas e sociais, aprender com colegas e estabelecer novas amizades’. Existem duas modalidades base, a de curta duração de 2 semanas e 2 meses, e a de longa duração (2 a 12 meses), apenas podendo haver uma candidatura para cada modalidade.

As nossas entrevistadas encontram-se em Portugal há 5 meses, isto é, na modalidade de longa duração. Durante estes 5 meses as 4 raparigas envolveram-se em inúmeras actividades, tendo dificuldades em escolher a que mais gostaram. Para além de terem organizado algumas acções de ‘guerrilha’ pelas quais a Agora Aveiro é famosa – locais de abraços e beijos espalhados um pouco por toda a cidade, deram uso à roupa que não usavam entregando-a aos mais necessitados e organizaram a primeira Biblioteca Viva em Aveiro onde, em vez de livros, os leitores lêem outras pessoas, ouvindo as suas histórias de vida. Ajudaram, também, no TEDxAveiro, criaram um novo website para a associação e organizaram um grande intercâmbio jovem, com 35 participantes de 7 países diferentes – WAVE2, em São Jacinto.

Todas concordam que a candidatura foi fácil. Para Jasna, 26 anos e oriunda da Croácia, a parte mais difícil da candidatura foi a decisão de realizar ou não o SVE. Com um mestrado em sociologia e algum trabalho desenvolvido na área do apoio social, Jasna nunca tinha vivido no estrangeiro, mas achou o SVE uma boa hipótese para ganhar experiência profissional. Segundo Jasna, quando inquirida acerca da cidade e das suas expectativas, a resposta foi: ‘As pessoas que conheci aqui aceitaram-me e fizeram o seu melhor para me fazerem sentir como se fizesse parte desta cidade charmosa, com boa ambiência e na qual quero passar mais tempo no futuro.’

Já para Tea, 24 anos e licenciada em economia, a cidade não era nada de novo. Isto porque realizou o seu ano de Erasmus em Aveiro e decidiu voltar. Aliás, foi do seu Erasmus que ouvi falar, através de um amigo Polaco, do SVE. Segundo esta ‘O significado do SVE vai-se aprendendo ao longo do caminho, enquanto se realiza.’ Para esta croata, as suas expectativas foram completamente cumpridas.

Mas talvez seja Wiola, blogger polaca com um mestrado em ciências políticas e uma especialização nos Média, a que melhor poderá avaliar a vida no estrangeiro. Após estudar e trabalhar na Dinamarca, viveu em Londres, Bruxelas, Brasil e Grécia antes de chegar a Aveiro. Sobre o seu contacto com outras culturas tem a enaltecer o espírito anímico brasileiro e a qualidade de vida dinamarquesa. Incrivelmente, para Wiola, 27 anos, Portugal tem quase a mesma qualidade de vida que a Dinamarca. Relativamente à cidade, Wiola concorda com Jasna: ‘ É perfeita para se realizar um SVE, estou muito feliz por não estar em Lisboa porque, como agora o demonstras-te, bastou-te telefonares-me para eu descer e estarmos aqui a tomar café. Nas cidades mais pequenas há mais oportunidades de integração na sociedade e isso favorece o meu objectivo para o SVE, que era continuar a aprender português.’

O que nos juntou na partilha foi a Agora Aveiro. Esta associação promove a cidadania ativa e, desde 2012, recebe e envia voluntários no programa SVE. Nataša explica-nos como, anualmente, a associação recebe 3 a 4 voluntários e envia jovens aveirenses para o estrangeiro. Diz ainda que ‘Tem sido incrível vê-los chegar confusos e um pouco assustados mas, após 6 ou 7 meses, não quererem voltar para casa. Também tem sido estupendo receber cartas e fotos de jovens portugueses que estão a viver em aldeias remotas na Hungria ou Eslovénia, no meio de nada na Islândia ou em cidades vibrantes como em Zagreb, dizendo que têm aprendido imenso e apenas lamentando não poderem ter esta experiência mais do que uma vez.’ As voluntárias concordam que esta é uma oportunidade imperdível deixando algumas recomendações a futuros candidatos.

‘ Deviam fazer o SVE enquanto são novos, antes dos 25. Na universidade não aprendemos certas competências inerentes ao SVE como viver no estrangeiro independentemente ou interagir com pessoas de diferentes culturas. Dá-nos algo que as escolas não conseguem ensinar. ’

Já quanto a Tatjana, 27 anos e proveniente da Letónia, ‘Não há um único guião para o SVE; basta mergulhar e ver o que acontece. Sê activo, procura fazer todo o possível para que o teu SVE seja a melhor experiência possível. A maior parte das coisas depende unicamente de ti e da tua atitude. Faz amigos, diverte-te, viaja, mantém a mente aberta, experimenta algo novo.’ Tatjana aproveitou ainda o TEDxAveiro, o qual a Agora Aveiro ajuda, para se desenvolver profissionalmente na sua área profissional, as artes de comunicação audiovisuais, acabando este por fazer parte da sua tese de mestrado.

Nataša acrescenta que todo o interessado deveria consultar o site agoraaveiro.org para mais informações ou, caso hajam questões adicionais, contactar através do endereço agora.aveiro@gmail.com. Algumas das garantias às quais os voluntários têm direito é a viagem de volta paga integralmente, bem como o alojamento, seguro e curso na língua nativa. Além disso, recém dinheiro de bolso (cerca de 250 euros por mês). Ao trabalharem 35 horas semanais os voluntários têm direito a 2 dias livres por cada mês de serviço.

O Sol está perto do seu ocaso e é altura de partir. Também este projecto, perto de completar os 7 meses, se encontra perto do seu fim. Despedimo-nos todos amigavelmente, esperando ansiosamente pelo próximo encontro; quem saberá aonde?

Texto: Francisco Santos, voluntário da Agora Aveiro

yala EVS project

As nossas voluntárias em Lisboa

 

Por
Associação para a promoção da cidadania ativa