Avançar para o conteúdo principal
  • Inclusão e Sensibilização Social

Nas Entrelinhas - Enfrentar a Ansiedade

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, e numa altura em que a ansiedade se torna um problema cada vez mais comum, tentámos ler o que nos vai escapando “nas entrelinhas”.

Tempo estimado de leitura: 3 minutos e 32 segundos

Vamos fazer um pequeno jogo? Quem nunca sentiu aquele nervoso miudinho antes de um evento importante? Ou aquele desconforto e agitação quando algo nos apanha de surpresa? Esta preocupação e receio, chamada de ansiedade, é uma reação natural, que desde os primórdios nos auxilia ao manter-nos alerta e capazes de nos proteger de ameaças externas. Agora, vamos imaginar que esta sensação se prolonga no tempo e que surge, sem propósito definido, em determinados contextos (ou sem contexto algum) e sem que a consigamos controlar, impedindo-nos de realizar as mais simples tarefas. Assustador, não é? É neste ponto que a ansiedade se torna num “monstro”, que carregamos connosco, que nos acompanha como se de uma sombra se tratasse e nos arrasta cada vez mais para baixo.

Com a pandemia muitos de nós tiveram de enfrentar este monstro, o medo do desconhecido e daquilo que não conseguimos controlar - não saber quando poderíamos voltar a estar com os nossos amigos e família, regressar às aulas, trabalhar, sair de casa... Segundo a Organização Mundial de Saúde, numa publicação lançada em março deste ano tendo por base dados relativos ao primeiro ano de pandemia, a prevalência de perturbações de ansiedade, bem como outras perturbações de foro mental, aumentou em cerca de 25%.

À semelhança dos anos anteriores, decidimos na Agora Aveiro que o Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado hoje, dia 10 de outubro, não deveria passar em branco. Motivados pelo espírito de desconstrução do estigma associado à ansiedade e de sensibilização e promoção da saúde mental, recolhemos testemunhos de diversas pessoas que em algum momento já lidaram com este “monstro”. A acompanhar-nos nesta viagem, contámos com a ajuda da psicóloga Margarida Gonçalves, que conhecemos no “Heróis de Aveiro”. A Margarida orientou-nos durante a recolha de testemunhos e ajudou-nos a aprender mais sobre este problema e sobre como podemos combatê-lo, sozinhos ou na companhia daqueles que nos rodeiam.

A ansiedade deixa-me sem forças e impede-me de alcançar os meus objetivos. Há alturas que aparece do nada ou, por vezes, apenas depois de um momento de pressão… Todos os dias aprendo algo novo sobre mim, como controlar melhor a minha ansiedade. Gostava que as pessoas compreendessem que todos temos ansiedade, mas às vezes há circunstâncias que fazem com que a sintamos com uma intensidade maior do que o normal. Há formas de a controlar e não é isto que nos torna ‘inválidos’.

Para mim, a ansiedade é o medo constante de que aconteçam os cenários pessimistas imaginados por mim. Inicialmente, não dei a devida atenção porque tinha alguma vergonha da minha incapacidade de fazer certas coisas que, para as outras pessoas, pareciam naturais - um simples passeio por um lugar movimentado causava-me um desconforto enorme. Exercícios de respiração e repetir afirmações positivas na minha cabeça costumam ajudar-me relativizar a situação e relembram-me que o que estou a sentir é resultado dos cenários hipotéticos que imaginei.

Estes testemunhos serviram de base para o guião do nosso vídeo sobre a Saúde Mental que traduziu, na primeira pessoa, o que muitas vezes é deixado “nas entrelinhas”. Pretendemos assim retratar o impacto que a ansiedade pode ter no nosso dia-a-dia, desmistificando algumas situações de forma a que nos tornemos mais empáticos, bem como partilhar estratégias que possam ajudar a lidar com este “monstro”. Mas o nosso trabalho não fica por aqui… Em breve, lançaremos uma exposição fotográfica com estes testemunhos - histórias de pessoas, tal como nós, que todos os dias experienciam ansiedade e que, à sua maneira, a enfrentam, não deixando que o “monstro” as assombre.

O projeto “Nas Entrelinhas” foi organizado pela Agora Aveiro. Teve como parceiro a psicóloga Margarida Gonçalves e contou com o apoio da Câmara Municipal de Aveiro, do Corpo Europeu de Solidariedade, do Programa Geração Z e do Instituto Português do Desporto e Juventude I.P.

Daniela Machado