A minha experiência de voluntariado

Nós nunca sabemos como vai correr uma experiência até a viver. Eu jamais poderia imaginar tudo o que passei durante os dois meses que estive na linda vila de Poljče, Begunje na Gorenjskem, Eslovênia.

Não tinha quaisquer expetativas para além daquela de aprender, e o primeiro dia quase me fez pensar que seria uma má experiência. Cheguei de madrugada a Ljubljana, e a estação de trem estava fechada. Faziam -7ºC, e eu não tinha onde me abrigar. Encontrei uma sala onde guardavam malas, e lá fiquei, à espera do trem das 05h. Uma hora depois, tive a sorte de encontrar um casal macedônio. Sem falar qualquer inglês, o senhor e a senhora me ajudaram e juntos encontramos um café onde pudemos nos abrigar. A gentileza daquele casal me deu esperança.

Depois daquele dia desanimador, a Eslovênia abriu as portas para mim. Fui muito bem recebida na Vila Čira Čara, e todos me acolheram com muita alegria. Éramos oito pessoas de culturas completamente diferentes aprendendo a conviver em harmonia. Foi uma experiência muito curiosa pois pude perceber como, apesar das divergências culturais, somos todos um e temos muito em comum. Isto me fortaleceu enquanto cidadã do mundo, pois pude ver como é possível vivermos em paz.

O nosso incrível mentor e a direção da Vila procuraram valorizar ao máximo as culturas de todos, e fomos encorajados a mostrá-las por onde fomos (nas escolas, no centro para pessoas com necessidades especiais e nas atividades da própria vila). Também valorizaram as minhas aprendizagens enquanto estudante de Educação Básica e me desafiaram a planear e executar atividades.

Além disso, o mentor do nosso voluntariado conversou muito comigo sobre o trabalho com a juventude, e assim pude conhecer melhor esta área e ampliar os meus horizontes profissionais com mais uma possibilidade incrível. Vivenciar a cidadania global dia-a-dia é realmente um trabalho louvável.

Vivemos intensamente os nossos dois meses. Viajamos, passeamos, fomos muitas vezes à capital Ljubljana (uma cidade tão pequenina, mas que te faz sentir em casa), à linda Piran, a Maribor, a Kranjska Gora, a Bled, a Radovjlica, e a tantos outros sítios dentro e fora da Eslovênia! Realmente não paramos de viver aquela experiência um minuto, e foi incrível. Assim, firmamos um laço de amizade que vamos levar para o resto de nossas vidas.

Agora, isolada socialmente, lembro-me com muito carinho de tantos momentos bons... das subidas à igreja de São Pedro, da doce Dona Milka que mora lá no cimo da montanha e que gentilmente nos deu a chave para que pudéssemos visitar a igreja do século XIV que ali está. Esta senhora, tão gentil, que nos deu chá, pão e sour cream, e nos contou sobre a sua vida, sobre os netinhos… Os Eslovenos têm um jeitinho muito especial de nos trazer para perto do coração deles. São uma gente adorável.

Aprendi com os Eslovenos a viver mais próximo da natureza, a apreciar tudo o que ela pode nos proporcionar e a fazer do contacto com a Mãe Terra parte da minha rotina. Aprendi também que as marcas de uma guerra moldam de maneira muito dura a índole de um povo. Admiro-os por serem tão resilientes e por não desistirem da independência mesmo sendo governados por outros há mais de mil anos. Um povo que moldou a sua identidade nacional a partir da língua, da poesia e da literatura tem todo o meu respeito.

Saí da Eslovênia com os olhos cheios de lágrimas, o coração cheio de gratidão e a cabeça com uma lista enorme do que fazer no meu retorno. Quero retornar a este país tão incrível e explorar ainda mais de tudo o que há de bom nele.

Hvala lepa, Slovenija. E muito obrigada à Agora Aveiro por proporcionar a mim e a tantos outros a possibilidade de vivenciar uma experiência como esta.

Luiza Ferreira

Agora Aveiro

03-05-2020