I Love Aveiro: Stories for Solidarity

Entrevistámos 11 imigrantes que atualmente moram em Aveiro para que possam ser eles a guiar-nos através do que é vir de um país diferente e morar aqui.

Tudo começou com um amor pela nossa cidade. “I Love Aveiro” é sobre compartilhar histórias em primeira mão de Aveiro, os seus lugares, as suas tradições e o seu povo.

Visitas um local novo e, claro, reparas nos edifícios, nas estradas e nas pontes que te levam de um lado ao outro. Mas a identidade de uma cidade não pode ser reduzida às suas infraestruturas. A sua singularidade nasce de histórias individuais e originais que se cruzam para tecer uma herança cultural vibrante. Estas histórias são passadas entre família, cafés, cabeleireiros, conversas casuais na paragem de autocarro. Estas são algumas das histórias que nos moldaram desde a infância e nos levam hoje a sentir um pouco de nostalgia.

Há tantas histórias ao nosso redor. A tecnologia está na ponta dos nossos dedos. Podemos alcançar qualquer coisa, por isso é fácil ignorar a possibilidade destas histórias desaparecerem, perdidas no tempo. Vivemos numa cidade com uma população envelhecida, para onde novas pessoas vêm viver, mas muitas outras saem também. É urgente valorizar as suas histórias e valorizar a herança humana. É vital valorizar a própria humanidade e sua existência.

Enquanto desenvolvíamos projetos de inclusão social na Agora Aveiro, como a “Biblioteca Viva”, “Gerações às Hortas” e “Encontros de Gerações”, percebemos que alguns grupos são frequentemente negligenciados e não são devidamente incluídos na comunidade local. Gostamos de dizer que Aveiro e Portugal fazem muito pelos imigrantes, e temos orgulho disso, mas depois ouvimos histórias pessoais e percebemos que ainda existem casos de racismo, xenofobia ou pura indiferença em relação a essas pessoas.

Todo a gente tem uma opinião sobre imigração, mas pergunta quantas pessoas realmente conhecem um imigrante e não ficarás surpreso ao descobrir que algumas dessas opiniões nem sempre são baseadas em informações significativas ou mesmo verdadeiras. Na maioria das vezes, há uma desconexão com os problemas reais. Há medo. Um medo que é alimentado pela nossa incapacidade de entender. Afinal de contas, a ignorância e medo andam de mãos dadas. O que é estranho e incompreensível assusta-nos a diferentes graus. Mas quando o conhecimento nos liberta para formar uma resposta mais coerente, começamos a entender, chegamos a um sentimento de familiaridade.

Os eventos da “Biblioteca Viva” que organizámos foram a primeira vez que muitos tiveram a oportunidade de falar com pessoas de países como Venezuela, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Iraque, Irão, Serra Leoa. Isso ajudou-os a entender melhor estas pessoas e as suas circunstâncias. Isso acontece-nos quando participamos de intercâmbios de jovens e conhecemos pessoas de diferentes países. Tornamo-nos mais abertos, mais informados, e entendemos melhor outras culturas quando ouvimos em primeira mão.

Também o “I Love Aveiro – Stories for Solidarity” nasceu porque amamos a nossa cidade. Queremos uma sociedade mais solidária, onde os nossos cidadãos não desviam o olhar das dificuldades. Queremos que as pessoas reflitam, sim, mas também queremos que tomem medidas. Que apoiem os imigrantes e iniciativas de inclusão social em vez de ignorar. É sempre um desafio mudar as atitudes das pessoas ao nosso redor. Não é exatamente algo que depende de nós, mas podemos prover informações para as pessoas pensarem e reavaliarem sua posição. Entrevistámos 11 imigrantes que atualmente moram em Aveiro para que possam ser eles a guiar-nos através do que é vir de um país diferente e morar aqui. Talvez depois de ouvir estas histórias seja mais fácil compreender que não somos assim tão diferentes.

Encontras um estranho na rua e nem pensas em saber quem essa pessoa é ou o que a trouxe até lá, mas a verdade é que faz parte do tecido da sua comunidade. É um ser humano. Podes realmente conhecer um lugar sem conhecer as suas pessoas? E podes honestamente conhecer as suas pessoas, se não conheceres as suas histórias?

Podes ler o livro aqui.

Este projeto foi financiado pelo Programa Erasmus+ através da iniciativa Corpo Europeu de Solidariedade.

Liane Carvalho

31-10-2019