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“BRIDGE”: Construir pontes para comunidades mais inclusivas

Num curso que reuniu participantes de vários países europeus em Aveiro, partilharam-se histórias de migração, exploraram-se metodologias de educação não formal e descobriram-se novas formas de desconstruir preconceitos.

Tempo estimado de leitura: 5 minutos e 41 segundos

25 de maio de 2026, Aveiro tornou-se ponto de encontro de 27 técnicos de juventude, voluntários, ativistas e educadores provenientes de Chipre, Croácia, Espanha, Itália, Polónia, Portugal, Sérvia e Turquia, reunidos no âmbito do curso de formação Erasmus+ BRIDGE – Building Resilient, Inclusive, Diverse, Global Environments.

Organizada pela Agora Aveiro, esta formação nasceu da necessidade de responder a um dos maiores desafios das sociedades atuais: como construir comunidades onde a diversidade seja valorizada, os estereótipos sejam desconstruídos e todas as pessoas sintam que pertencem.

Ao longo de nove intensos dias de trabalho, os participantes exploraram temas como a migração, o preconceito, a discriminação, os estereótipos, a inclusão social, recorrendo a metodologias de educação não formal. Em vez de procurar respostas simples, o programa desafiou cada participante a questionar as suas próprias perceções, a confrontar diferentes perspetivas e a refletir criticamente sobre as suas experiências e sobre a realidade das comunidades onde intervêm.

Aprender uns com os outros… e com a comunidade local

Uma das maiores riquezas do BRIDGE foi a diversidade do próprio grupo.

Cada participante chegou a Aveiro com percursos profissionais distintos, histórias de vida muito diferentes e experiências diversas de trabalho com jovens. Desde uma cidade fronteiriça no leste da Turquia, passando por pequenas aldeias espanholas, até às ruas vibrantes de Zagreb ou de Roma, cada pessoa trouxe consigo uma nova perspetiva que enriqueceu profundamente o processo de aprendizagem.

O programa foi igualmente enriquecido pelo contacto direto com organizações locais e outros agentes da comunidade, permitindo aos participantes compreender melhor a forma como a inclusão é promovida a nível local e como a cooperação entre organizações da sociedade civil e instituições públicas pode contribuir para comunidades mais fortes, resilientes e inclusivas.

Da aprendizagem à ação

Aquilo que tornou o BRIDGE verdadeiramente diferente foi a forte aposta na aprendizagem através da ação e a ligação permanente à comunidade local de Aveiro, transformando a cidade num verdadeiro laboratório para experimentar novas metodologias.

Em vez de terminarem a formação dentro da sala, os participantes foram desafiados a transformar ideias em ações concretas.

Divididos em três equipas internacionais, conceberam, planearam e implementaram três iniciativas públicas dirigidas à comunidade aveirense.

A primeira equipa organizou uma Biblioteca Viva, criando oportunidades para conversas genuínas entre pessoas com diferentes experiências de vida e promovendo o diálogo como forma de desconstruir estereótipos.

A segunda desenvolveu uma ação de Guerrilla Marketing, utilizando intervenções criativas no espaço público para despertar a curiosidade dos cidadãos e levá-los a refletir sobre discriminação, diversidade, inclusão e preconceitos.

A terceira equipa criou e apresentou um espetáculo original de Teatro do Oprimido. Após vários dias de trabalho colaborativo, orientados por uma formadora experiente, os participantes apresentaram três peças de Teatro Fórum centradas na discriminação, exclusão e injustiça no contexto da violência baseada no género, convidando o público não apenas a assistir, mas também a participar ativamente na procura de soluções.

Estas iniciativas decorreram na histórica Antiga Estação Ferroviária de Aveiro, gentilmente disponibilizada pelo Município de Aveiro, transformando este espaço num local de encontro, diálogo, participação e envolvimento da comunidade.

Uma experiência transformadora

A avaliação final demonstrou que o BRIDGE foi, acima de tudo, uma experiência de aprendizagem profundamente positiva.

Os participantes destacaram repetidamente que a oportunidade de colocar imediatamente em prática aquilo que aprenderam tornou esta formação diferente de muitos outros projetos Erasmus+ em que já tinham participado.

Vários participantes afirmaram que pretendem organizar Bibliotecas Vivas, dinamizar oficinas de Teatro do Oprimido, utilizar estratégias de Guerrilla Marketing e aplicar as metodologias de educação não formal experimentadas durante o BRIDGE nas suas próprias organizações e comunidades.

Muitos referiram igualmente um crescimento pessoal significativo. Falaram de uma maior confiança em si próprios, de uma compreensão mais profunda das questões relacionadas com a migração e a inclusão, da capacidade de desafiar os próprios preconceitos e da importância de sair da zona de conforto. Outros salientaram que as amizades, a confiança construída e as ligações internacionais criadas durante o projeto foram alguns dos seus maiores ganhos. 

Como escreveu um dos participantes:

"Putting ideas into immediate practice was one of the things I liked the most during this project."

Outro afirmou:

"This training course was special for me as we not only did many useful and great activities within the group but also we put our ideas into practice among Aveiro society. I loved that, so thanks for that opportunity."

E um terceiro acrescentou:

"I'm definitely using guerilla communication in the future, and I'm also considering cooperating with local artists back in Cyprus, to implement more theatre inspired workshops."

Estes testemunhos demonstram que o BRIDGE alcançou aquilo a que qualquer projeto educativo aspira: inspirar as pessoas não apenas a aprender, mas também a agir.

Para além do BRIDGE

Embora a formação tenha terminado, o seu impacto continua.

Um pouco por toda a Europa, os participantes já estão a planear workshops, Bibliotecas Vivas, atividades de Teatro Fórum e outras iniciativas educativas inspiradas na experiência vivida em Aveiro. Ao partilharem estas metodologias com colegas, voluntários e jovens das suas comunidades, contribuirão para multiplicar o impacto do projeto muito para além da sua duração.

Agradecimentos

A Agora Aveiro gostaria de expressar o nosso sincero agradecimento a todas as organizações parceiras pela confiança e cooperação demonstradas ao longo de todo o projeto, às organizações e entidades locais que partilharam generosamente a sua experiência com os participantes e, naturalmente, a todos os participantes pela abertura, dedicação e vontade de aprender que tornaram o BRIDGE numa experiência verdadeiramente memorável.

Um agradecimento muito especial aos nossos parceiros locais ORBIS, Cais1515, APROXIMAR e Casa Vera Cruz – Migrantes Aveiro, por estarem sempre ao nosso lado e contribuírem para a qualidade desta experiência.

Agradecemos igualmente ao Município de Aveiro, pela disponibilização da Antiga Estação Ferroviária para a realização das atividades públicas, aproximando o projeto da comunidade local, e ao Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ, I.P.), pelo apoio constante.

Projetos como o BRIDGE recordam-nos que sociedades mais inclusivas não se constroem apenas com ideias. Constroem-se quando as pessoas se encontram, escutam, questionam, colaboram e têm a coragem de transformar a aprendizagem em ação.

Agora Aveiro